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Nicéas Romeo Zanchett Romeo

PAUL GAUGUIN

16 de Septiembre del 2018 a las 20:09:38 0 llegit (178)


Nasceu em 1848. Filho de um jornalista, Clóvis Gauguin, e de uma dama finíssima e um tanto sonhadora, Maria Aline Chazal, de remotas origens peruanas.
Vivendo em um ambiente familiar não muito tranquilo e sereno, Gauguin demonstrou, desde criança, um caráter inquieto e difícil, que o levou, com apenas nove anos, a correr a primeira aventura de sua vida; na verdade, o menino, impelido pela irrequietude, tentou fugir de casa.
Sua primeira fuga deu-se em 1865; tinha então 17 anos; Embarcou como grumete, em um navio mercante francês, no qual atingira a América do Sul e as Índias. Grande encantamento exerceu sobre o jovem futuro artista essa viagem a terras distantes.
Quando jovem, Poul Gauguin , apresentado por uma família amiga, foi empregado pelo banqueiro Bertin como agente de câmbio, certamente pensava haver iniciado uma carreira satisfatória e definitiva.
Gauguin tivera uma infância inquieta, arrastada pelas confusas vicissitudes da família a deixar Paris, após o advento da Terceira república, e uma adolescência mais irrequieta ainda, desta vez por sua vontade. Os anos transcorridos em Lima, na casa de um avô paterno - em um mundo tão diferente daquele em que nascera - e, mais tarde, seu embarque como aluno piloto, e piloto da marinha Mercante Francesa, sobre navios velejantes, rumo às longínquas terras do Sul, pareciam, para quem o conhecesse, precedentes muito mais que significativos para supor nele um homem de negócios.
A decisão parece-nos estranha, ainda hoje; todavia, é certo que Gauguin, tendo resolvido transformar-se de marinheiro e, por isso, nômade, em profissional sedentário, soube entrar muito bem na parte que escolhera.
Tinha então 22 nos, um físico alto e robusto, rosto moreno, no qual o sangue materno, meio peruano, deixara marcadamente o sinal; possuía, além disso, uma força de vontade que chegava à teimosia, uma ambição desenfreada, rapidez de decisão, forte sentido realista, uma segurança das próprias idéias, que o levava até a ser presunçoso, e não pequena dose de dureza de caráter. Que isso fosse virtude ou defeito, todavia, o puseram em condições, em breve tempo, junto a uma série de ótimas especulações financeiras de fazer fortuna.
Monsieur Gauguin, agente de câmbio, pode, após atingir uma importante posição, casar-se com a Senhorita Sofia Gad, pertencente a uma das mais ricas famílias de Copenhague, e ter dela cinco filhos: Emílio, o primogênito,a pequena Aline, sua predileta, Clóvis, João e Paulo. Entrementes, porém, e logo depois de poucos anos de casamento (quando os filhos mais novos ainda não haviam nascido), através de algum fortuito contato com artistas, e o exame de alguns quadros de pintores contemporâneos, que seu tutor recolheu em casa, começou a despertar em Gauguin um interesse, a princípio amador, depois sempre mais apaixonado, pela pintura.
O amor pela pintura transformou-se, depois de seu conhecimento com Camilo Pissarro, fundador do movimento pictórico denominado Impressionismo, em decidida vontade de ele mesmo pintar; mas, contentou-se, no começo, por muitos anos, a fazê-lo somente aos domingos. Até aqui, o comportamento de Gauguin podia, na aparência, não despertar preocupação alguma na mulher e nos amigos (entre seus colegas de banco, também Schuffenecker, chamado Schuff por Gauguin, conseguia conciliar as duas atividades, tão contrastantes); na realidade, à medida que superadas as primeiras dificuldades técnicas, começava a tomar gosto pela pintura, agigantava-se nele o drama de não poder pintar na hora e no dia que quisesse, nem de poder viver entre artistas, ligado aos seus problemas e às suas próprias aspirações. Os primeiros trabalhos de Gauguin remontam o ano 1875 e trazem, visivelmente, a Influência de Pissarro; tal como os impressionistas, Gauguin gostava, então, de pintar ao ar livre, procurando, com pequenos toques de colorido puro, com luzes e sombras, as vibrações atmosféricas da natureza. Quadros não belos, talvez, ainda embaraçados e, acima de tudo, ainda não realmente seus, embora, da matéria pictórica, densa de cores, transparecesse um temperamento exuberante, já individual.
Em 1881, um quadro exposto por Gauguin, ainda agente de câmbio -era um "nu feminino" - fazia um crítico dizer que, no pintor Gauguin, se podia individualizar um afastamento do estilo dos impressionistas, e a busca de um estilo pessoal. Não foi apenas esse juízo, nem a amizade com novos artistas (Guillaumin, Cézane, Degas, Monet, Seurat, Toulou-se-Lautrec e todos os demais rebeldes da pintura que, naqueles anos, combatiam contra o imperante gosto oficial, para o advento da arte figurativa moderna) que fizeram Gauguin, dois anos mais tarde, romper com todos os compromissos, para entregar-se unicamente à pintura. Foi, antes, um imperativo que lhe vinha do íntimo, a necessidade de pintar, e a vontade de não mais contentar-se com os medíocres resultados que teria podido alcançar, permanecendo na esteira de um chefe de escola: na História da Pintura Moderna, ele queria ser um Mestre, não um prosélito de idéias alheias e, por isso, em 1883, deixou o emprego, transferiu a família para Ruão, para uma casa mais modesta, e abandonou também, nas atitudes externas, toda lembrança do mundo burguês. Devido à extraordinária confiança em si mesmo e pela segurança das próprias idéias, que sempre o caracterizaram, Gauguin, desde quando decidiu ser apenas pintor, não mais teve dúvida do triunfo; desde o início, quando os únicos a apoiá-lo eram uns poucos iniciados na arte moderna, ele previu, para suas obras futuras, um destino glorioso e, para si, fama e riqueza.
A riqueza, na verdade, jamais lhe chegou, e a fama, só depois de muitos anos, quando já não mais estava em condições de poder gozá-la.
A mulher, após dois anos, retornou à Dinamarca, com os filhos; mulher fortíssima, inteligente, mas, sobretudo, muito mais mãe do que esposa dócil e compreensiva das atitudes e das aspirações do marido, desaprovou, desde logo, a decisão de Paul, e não se sentiu em condições de partilhar com ele as inevitáveis privações e a miséria que um pintor rebelde deveria necessariamente enfrentar no início de sua carreira. Por amor a ela e aos filhos, Gauguin procurou , nos primeiros tempos, adaptar-se a viver na Dinamarca, em casa dos sogros; mas, distante de Paris, e num país nórdico muito pouco adequado ao seu temperamento, ele se sentia como no exílio; voltou a Paris, poucos meses depois, trazendo consigo somente o filho Clóvis, para que a presença do menino lhe fizesse sentir menos aguda a saudade da família distante. Um sótão, e não mais o luxuoso apartamento de outrora, acolheu seu regresso; no inverno, devido ao frio, Clóvis apanhou uma pneumonia, e Gauguin gastou até o último centavo que ainda lhe restava dos lucros como agente de câmbio, reduzindo-se até a colar manifestos, a fim de poder tratar da saúde do filho. Clóvis sarou, mas já estava patente que o pai, com sua pintura, não poderia, certamente, sustentá-lo, e o menino foi internado num colégio, a expressas da rica irmã de Gauguin, mulher, na verdade, pouco amável para o irmão, que dela não pode nunca esperar outra ajuda.
Gauguin ficou sozinho, e também isto deve ter-lhe pesado e custar-lhe não poucas críticas, como pai e como marido, a plena liberdade que agora tinha consigo e que aproveitou à sua pintura. Para renovar-se e encontrar uma linguagem pictórica realmente sua, tinha necessidade de ver lugares novos, de pintar sob um céu que lhe desse sensações nunca antes experimentadas; em 1886, refugiou-se em Pont-Aven, na Bretanha, em uma rústica estalagem, onde a benévola proprietária não exigia uma excessiva pontualidade nos seus pagamentos. Ainda, nestas primeiras pinturas bretãs, e até 1888, a homenagem a Pissarro e a Cézanne está patente; permanecem o colorido, a mistura densa da matéria, uma simplificação sempre mais acentuada das formas, e uma parcial separação do tema real, antecipando algumas características de seus quadros futuros. Alguns, da mesma época, são declaradamente novos, ainda que neles a conquista do estilo não esteja plenamente atingida. Eles são postos diretamente em relação com uma nova experiência fita por Gauguin, em 1887, ou seja, durante sua permanência na Martinica e nas Antilhas, por cerca de um ano.
Ali, ele fora com o pintor Laval (artista medíocre, que ficara encantado com a personalidade poderosa do amigo), em busca daquele mundo e daquela natureza primitivos, que porventura lhe ficaram no coração desde sua infância transcorrida no Peru e que sempre o encantaram. Essa primeira fuga da civilização resolveu-se parcialmente em um insucesso, porque o clima e o duro trabalho a que os dois amigos tiveram que entregar-se para viver (foram realmente engajados como trabalhadores braçais nas escavações do Canal do Panamá) obrigou-se a regressar a Paris, um ano depois, em péssimas condições de saúde.
Mas a viagem conferira a Gauguin maior audácia em matéria de pintura e um halo de encanto, que não deixou de sugestionar muitos pintores; e quando, poucos meses apos, ele se refugiou novamente em Pont-Aven e em seguida em Pouldu, pequena aldeia de pescadores, não distante da precedente, Bernard, Sérusier, Laval e outros moços (e medíocres) artistas seguiam-no, fundando em torno de sua figura uma escola pictórica, efêmera e de puro valor histórico, denominada escola de "Pont-Aven".
Dos novos amigos, Gauguin se distanciou, de outubro a dezembro de 1888, para ir a Arles, na Provença, ter com o amigo Van Gogh, pinos como ele, entre os mais singulares da arte moderna, não só pela sua personalidade de artista, mas também como homem; foram, esses meses, poucos, mas densos de vicissitudes dramáticas e interessantíssimas do ponto de vista biográfico, embora pouco significativos para o desenvolvimento da pintura de Gauguin e mais para aquela do amigo, que ficou influenciado pelo seu exuberante sentido de cor. Desse período, resta-nos uma belíssima "Paisagem de Arles".
Após uma tempestuosa despedida de Van Gogh, eis Gauguin retornando às aldeias bretãs, para pintar "Guardiã de Vacas, Paisagem Bretã, Bom dia< Senhor Gauguin", onde as cores exuberantes - todo um esplendor de amarelos, de vermelhos, de azuis intensos e de verdes - pouca relação tem com o real. Por isso, não se exija desses quadros a observação precisa do verdadeiro, do real, a perspectiva geométrica ou atmosférica, nem a delicada extensão da cor ou toques velados dos pintores dos séculos precedentes); Gauguin procurou, de maneira expressionista e ao mesmo tempo decorativa, dar uma interpretação pessoal da realidade, não a de reproduzi-la. Aquele "Cristo Amarelo", em que a imagem sagrada possui toda a intensa força expressiva das esculturas lígneas populares, ou aquela "Visão Após o Sermão" (coleção particular), provocam uma tensa emoção própria pela sua aparente rudeza, seu franco primitivismo. A medida que avança na pintura, Gauguin não procura progredir na (difícil sim, mas não árdua) conquista da pura profissão, mas estuda, ao contrário, simplificar o mais possível o próprio estilo, a fim de torná-lo mais constante com a própria personalidade, de modo que resultasse melhor seu inato e exuberante sentido da cor, seu espontâneo amor pelos seres simples e primordiais, seu temperamento de homem passional e jamais domado pelas férreas regras do raciocínio.
Todos esses magníficos e singulares dotes descobertos em si mesmo, não só através da visão de terras e homens novos, mas também através do estudo da arte polinesiana (por ele frequentemente mudada, não só nas pinturas, mas também nas esculturas e nas cerâmicas) e o exame atento da arte japonesa (especialmente nas estampas de Hokusai) e dos pintores italianos pré-renascentistas, valeram para levar a Gauguin, na apreciação dos artistas e dos amadores da arte, a um lugar de primeiro plano, pois agora olhavam para ele não os impressionistas (entre estes, Degas, ótimo crítico, além de excelente pintor, tinha sido o primeiro a adquirir um quadro seu), mas sim as novas gerações. Alguns pintores simbolistas ofereceram-lhe sua amizade, Morice e outros tornaram-se os arautos de sua pintura, assim como, mais tarde, outros pintores, entre os quais Odilon Redon e Maurice Denos sofreram-lhe a influência. Gauguin, que agora descobrira a si mesmo, após três anos de permanência em Paris, preferiu tentar novamente uma nova fuga do mundo civilizado e refugiar-se em Taiti. Ali permaneceu de 1891 a 1893, conseguindo partir graças à quantia apurada em venda em hasta pública, em uma noitada que ficou famosa no Hotel Drouot, de toda sua produção bretã. Regressou de novo à França, a Paris, a Port-Aven, de 1983 a 1895, para organizar venda de sua produção taitiana e, talvez, para dar um adeus, definitivo e sem saudades, a um mundo que então não mais lhe interessava. Partiu novamente para Taiti, onde viveu entre os indígenas e à maneira dos indígenas, até 1091, ano em que se estabeleceu nas Ilhas Marquesas, para ali morrer, em 1903, atacado de febres e chorando pelos nativos, mais do que pelos poucos franceses que ali se encontravam.
Ligado ao antigo círculo de amigos e à esposa somente por uma monótona correspondência epistolar, na qual, sobretudo, eram tratados assuntos relativos à venda de seus quadros (de parte dos correspondentes franceses) e os pedidos de dinheiro (de parte de Gauguin), Paul adotou, espontaneamente, o modo de vida dos indígenas, participou de seus próprios problemas. Conheceu momentos de saudade, de inquietude e também de mágoa; todas essas vicissitudes, íntimas ou realmente acontecidas, bem como as precedentes, não deixaram de interessar, mais tarde, escritores de ótimo naipe, como Somerset Maughan (Um Gosto e Seis Vintém) e C. Gorham (Seus Corpos de Ouro) que disso extraíram material para escrever, em romance, a vida de Gauguin. Entretanto, ainda que nem os anos taitianos tenham sido isentos de dor, representam eles o período mais belo para sua pintura e também o mais feliz; isso nos revela seu escrito "Noa-Noa" (em taitiano: tudo fragrante) e seus quadros; na natureza luxuriante e entre os homens simples, ainda não contaminados pela civilização européia, que o circundavam, Gauguin foi feliz, porque, como homem, sentiu-se livre de pintar, em plena fantasia a liberdade de inspiração, seus quadros taitianos, que representam paisagens, figuras, cenas da vida indígena, e nos quais a cor (estendida agora em largas zonas) é luxuriante, a linha fluente, as figuras monumentais, situam-se entre os mais belos que conta a arte figurativa moderna.
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Nicéas Romeo Zanchett




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